quinta-feira, 3 de junho de 2010



Pastores presos nas ferragens de acidente louvam à Deus com hinos e levam os bombeiros às lagrimas.


Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem (24/02/2010), na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica na região metropolitana de Vitória, no Espirito Santo.

Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, na Serra.

Os veículos - cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey - bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15, no quilômetro 277, na Serra. Os pastores estavam no carro.

Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica - Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão - de uma empresa de cerveja - não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.

Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram, e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros caminhoneiros ficou ferido.

O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.

Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele. O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, na Serra.

A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.

O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, no Contorno, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do colega, Benedito Bispo. Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.

O mais comovente do triste episódio, foi o relato dado pelos dois pastores sobreviventes, populares e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores, ainda com vida, presos às ferragens.

As testemunhas citadas, contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão, presos nas ferragens, em meio a um mar de sangue que os envolvia, começaram a cantar o Hino 187 da harpa cristã:

Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!

Andando triste
Aqui na solidão
Paz e descanso
A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!

Minh'alma cantará a ti Senhor!
E em Betel alçará padrão de
Amor,
Eu sempre hei de rogar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!

E quando Cristo,
Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei
Morar
Então me alegrarei
Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!

Aos poucos suas vozes foram se silenciando para sempre.

As lágrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porem jamais viram alguem morrer cantando um hino; como foi o caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Reflexão do dia do meu casamento, por Pastor Júlio Soder

Casamento tem gôsto de beijo na boca


Se alguém mais antigo da igreja soubesse que no culto de sábado à noite seria celebrado o casamento do Tiaguinho diria que era "culto de milagres". Qual a moça que casaria com o "maluco" do Tiaguinho?
Carregava esta fama desde que chegou na igreja, na adolescência. Mas ele não era doido, apenas seu limite para o medo era mais longo que o da maioria. Talvez ele se sentisse na obrigação de fazer jus ao estilo "easy rider" do pai. Manejava bem as máquinas, empinava a moto, fazia trilha e alta velocidade era o seu andar normal, o que lhe valeu alguns adjetivos de bagunceiro, agitador, perturbador. Rótulos fazem tão mal quanto uma facada. Pior ainda se vier pela ausência do padrão de comportamento religioso estabelecido.
Comunicativo, sincero e amigo atraia a galera jovem. Era líder por simpatia. Mas ele queria mais significado do que a adrenalina da velocidade podia lhe dar. Queria Deus, sabia que precisava dEle. Deus veio a ele mudando seu interior sem mudar o seu estilo. Por causa disso poucos acreditaram; ele não entrara no "padrão".
Mas o tempo foi passando e a adolescência já não era. Um dia desabafou: - "Pô, pastor, meus amigos estão todos casando e eu sozinho, tô ficando para trás". Naquela hora descobri que eu também ainda o via como um adolescente. Com raiva da minha cegueira lhe disse, como uma promessa, que o seu tempo chegaria.
Acho que em pouco mais de uma ano, Kátia chegou na igreja. Cansada e sobrecarregada de si mesma queria Deus. Precisava dEle. Encontrou-o. Sua visão e suas prioridades mudaram.
Kátia tem um sorriso de desarmar qualquer assaltante. Um dia, depois de uma palestra sobre casamento, me abordou no final: - "Ouvindo o sr. falar parece que casamento é tão bom, também quero. Como acontece"? Respondi: - "Espera em Deus, minha filha, é Ele quem promove estas coisas; sua hora vai chegar".
Para quem não sabe, esperar em Deus não é letargia, é uma dinâmica espiritual que exige uma certa atenção.
Enquanto o pecado fez com que Adão e Eva se escondessem um do outro, o perdão de Deus fez com que Tiago e Kátia se encontrassem. Não sei como tudo começou nem como se conheceram. Um dia os vi juntos e Tiago foi incisivo: - Pastorzão, é você que vai fazer o meu casamento.
Não era um convite; eu não era o único pastor da igreja, era uma intimação.
Quando se desentendiam ele vinha lá em casa; coração apertado, gostava dela... - "Pastorzão, não sei o que faço, quem que entende as mulheres"...
As diferenças entre os dois já estava causando a dolorida fusão em uma só carne.
Incrivelmente a natureza e a ciência diz que os opostos se atraem e os iguais se repelem. E o homem ainda insiste na pervertida e anti-natural atração e união homo.
Algumas vezes, sem saída, dei-lhe conselhos bem chauvinistas, pensando "ou ele ganha de vez essa menina ou parte pra outra": - "Te faz de difícil, Tiago, mulher gosta de ser paparicada mas não gosta de cara muito pegajoso, faz de conta que você não tá nem aí".
Emotivo e sincero como ele é eu sabia que ele não conseguiria manter esse joguinho de sedução por muito tempo; mas logo eu os via juntos de novo, com um enorme sorriso de reconciliação na cara dos dois. Eu não sabia quem tinha cedido mas também não perguntava nada.
Amanhã celebrarei o casamento dos dois. Sei que apesar da aparente segurança que apresentam, por dentro estão morrendo de mêdo, mas eles têm esperança, pois são humildes o suficiente para aprender com os mais velhos e com o Espírito Santo.
O casamento é uma festa. Nenhum casamento pode ser realizado como uma cerimônia austera, como se fosse um fardo a ser carregado até que a morte os separe.
Casamento não pode ser realizado como algo convencional. Independente de ser o casamento do Tiaguinho, é um culto de milagres. O milagre da fusão do relacionamento está acontecendo ali.
Casamento é motivo de muita alegria; nem que seja a base de vinho. Por isso que faltou vinho e por isso que o primeiro milagre de Jesus foi realizado num casamento.
Aliás, para a igreja, tudo converge num casamento. Tudo está sendo preparado para as "Bodas do Cordeiro".
Casamento tem gôsto de beijo na boca.
Gôsto de "quero mais".

Pr Julio Soder


TATOO OR NOT TATOO?



Questão: "Crente pode fazer tatuagem?"


Resposta do Herege (Rev. Digão):


Uma pergunta que sempre fazem a mim é a seguinte: “pastô, pó fazê tatuági?” Tem horas que dá vontade de responder: “não dá, não sou tatuador, não tenho a maquininha, e nem sei desenhar a Hello Kitty!”

Brincadeiras à parte, muitos crentes ficam se perguntando se é plausível um cristão usar tatuagem. Usam alguns versículos para embasar sua argumentação. Basicamente dois:

Lv 19:28: Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor.

1Co 6:19: Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Infelizmente temos o péssimo hábito de ler textos bíblicos de maneira isolada, sem conhecer o devido contexto. Não há nada nesses textos acima que indiquem uma proibição explícita a tatuagens.

Quando Moisés estava escrevendo Levítico, lembrou-se que, no meio dos povos pagãos em redor de Israel, era costume fazer marcações nos corpos em honra a seus mortos. O texto de Lv 19 deve ser lido em todo o conjunto, pois indica uma série de atitudes culturais próprias do paganismo, e não uma proibição da tatuagem por si só. Não é engraçado que ninguém ainda tenha se levantado para dizer que também é pecado os homens barbados apararem a barba, baseados em Lv 19.27, um versículo imediatamente anterior? Essa seletividade de pecados é tããão engraçada...

Já o texto de 1Co 6 não faz alusão a pretensas tatuagens, mas sim à prostituição. No contexto, entendemos que a cidade de Corinto era muito licenciosa. Era uma cidade portuária, com grande movimentação de estrangeiros, que buscavam “diversão adulta” nas horas vagas. Era também uma cidade conhecida por seu templo a Afrodite, com sua prostituição cultual. A coisa era tão braba que algumas prostitutas cultuais se convertiam, mas continuavam com sua aparência “profissional” anterior, ou seja, com a cabeça raspada, símbolo de dedicação a Afrodite. É por isso que, no cap. 11, Paulo fala sobre o véu e a confusão que se formava na igreja. Mas isso é outra conversa. O que interessa aqui, no cap. 6, é que Paulo não falava de um ato estético em si, mas sim atacava o comportamento pecaminoso expresso na prostituição de alguns crentes de Corinto. Paulo é ainda mais explícito no v. 15: Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum!

Portanto, o que Paulo e Moisés combatiam não era uma mera questão estética, e sim uma questão espiritual: nosso compromisso com Deus. Ambos os textos atacam, à sua maneira, nosso grau de comprometimento com Deus. Seja praticando coisas próprias dos pagãos (quem se lembra de rosas ungidas ou vales do sal?), seja na licenciosidade moral (onde “irmãs” sonham em ser capa da Playboy), o terrível problema a ser combatido não é um bocado de tinta injetado debaixo da pele. Combater tatuagem é, no meu entender, apenas uma cortina de fumaça. O que deve ser combatido, com todas as forças, é a superficialidade de nossa relação com Deus, que tanto envergonha o nome do Evangelho. Para isso, somente com a “tatuagem” do caráter de Cristo em nossos corações, somente com o lavar regenerador do Espírito (Tt 3.5). Em suma, não se preocupe com tatuagem, brincos, piercings ou coisas passageiras. Focalize sua energia, isso sim, em ser sal da terra, luz do mundo e testemunha viva do Rei vivo. Com ou sem tatoo.


Comprando carros...



Muller

Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens. I Co 7:23


-Olhe este aqui senhor.
-Que ano que é?
-É 87! Mas está bem conservado.
-Não sei não, está meio velho. 87?
-Dá uma olhada na lataria, “inteirassa”!
-É bem conservada mesmo, mas e o estofamento?
-Todinho reformado! Sente só que maciez, e a cor? Olha que cor!
-Tenho que pensar bem... os pneus estão bons também, mas e o motor?
-O motor está bom também, escuta o ronco...
“Vrrrum, vrrrum, vrrrum...”
-Possante hein?
-É mesmo. Agradou-se deste?
-Sim é bem diferente!
-Mas o melhor de tudo deixei para o final, é um modelo único, só tem este!
-Sério?
-Sim. Raridade, exclusivo!
-Vou ficar com este então!
-Mas não quer saber o preço?
-Não importa quanto custa, eu quero este.



Quem já comprou um carro semi-novo sabe bem que a escolha tem que ser bem feita, caso contrário... É melhor nem pensar.

Mas o que a compra de um carro tem a ver com Deus?

Talvez você pense, ou tenha visto no filme “A virada”, que devemos honrar a Deus em tudo, de fato isto é verdade, mas não é somente isto, vai bem mais além...

Existem pessoas apaixonadas por carros, como já diz certa propaganda, e é isso que quero ressaltar, não a propaganda, mas a... Ah vocês entenderam.

Existem apaixonados por carros que se importam com a potencia do motor, designer, modelo, marca, etc., mas há também aqueles apaixonados por raridades, que procuram um carro único, este ultimo apaixonado é Deus, e o ultimo tipo de carro somos nós.

Sinceramente não sei o que move um apaixonado por carros, só sei que eles procuram, procuram e procuram até encontrar o carro mais especial.

Deus faz exatamente assim!

Ele procurou ate que nos encontrou largados numa revende de automóveis qualquer. Já não éramos o modelo mais atual, alguns mais velhinhos, outros nem tanto, mas estávamos lá, parados, sem utilidade, afinal para que serve um carro se não for para “rodar”? E para que serve uma vida se não for para ser vivida?

Não sei o que Deus viu de especial na minha vida, tenho uns arranhões aqui, um amassado ali e às vezes tenho umas panes, entre tantas outras falhas, mas sei que Ele me escolheu...

Todo apaixonado por carros cuida do seu, e o mesmo Deus faz conosco.
Mesmo tendo um arranhão aqui, amassado ali, Deus vai moldando, concertando, até que volte a funcionar.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele
.” (Jo 3:16-17)

Eu custei um alto preço para Deus, custei seu filho Jesus, mas Ele não se importou com o preço, mesmo eu não o conhecendo Deus já era apaixonado por mim...

Ah se conseguíssemos compreender este Amor!

Tantas vidas por ai largadas nas revendas, achando que não tem valor, pneus murchos, bateria fraca, somente esperando a hora de ir para o ferro velho.

Eu, você, nós fomos comprados pelo maior preço possível, agradeçamos a Deus por isso, somos especiais, mesmo com este amassadinho na lataria, agradeçamos a Deus por isso.

Mas também entendamos uma coisa, que Deus pagou um preço alto por nós, nos concertou e nos trouxe a vida, fez funcionar o que estava estragado, para que eu rodasse, para que você rodasse por ai, para que vivêssemos de/e na verdade.

O importante não é o estado de conservação da sua lataria, não importa como anda seu motor, o importante mesmo é saber quem está dirigindo o carro.

Quem tem dirigido a sua vida?

Somos os carros mais preciosos que Deus tem, então deixe Deus te usar, rode pelas “revendas” do mundo e mostre o que Deus fez por você, mostre que há esperança.

Deus ainda é apaixonado por vidas e continua buscando-as.

O preço já foi pago.

Anuncie isto.

Carta aberta aos subversivos de Jesus



Alan Brizotti


Queridos amigos de indignação, paz!

Robinson Cavalcanti escreveu: "Um mundo novo é possível; uma igreja nova é imprescindível". Eis a ânsia que nos une. Resolvi escrever essa carta (e não a velocidade impessoal do e-mail e seu internetês) porque cartas despertam aquela nostalgia deliciosamente clássica que parece ter sumido dos nossos dias, também porque precisamos cada vez mais estarmos juntos. Nossa força vem do nosso abraço. Nossa unidade é o megafone que potencializa nosso grito.

Algumas pessoas insistem em questionar nosso criticismo (ao invés de questionar seu alvo), então respondo: criticamos não porque vivemos encarcerados numa espiritualidade azeda (ainda que alguns de nós assim estejam), mas porque somos parte do corpo (I Co. 12. 12-27), e o que dói no corpo afeta nossa alma. Criticamos porque não conseguimos olhar para o ambiente eclesiástico com uma irresponsabilidade tatuada de piedade e tolerância, mas sim com a inquietação aprendida do olhar de Jesus: "Vendo ele as multidões"; em Jesus, o olhar constrói.

Tenho percebido que nossas críticas produzem algumas feridas. Contudo, se Jesus Cristo é o "médico dos médicos", então, o melhor que temos a oferecer são justamente nossas feridas, principalmente quando são geradas pela adocicada fúria do amor: "Fiéis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que odeia são enganosos" (Pv. 27. 6). Nossas feridas não matam, aliás, nem mesmo são feridas, são apenas paradoxos benditos: machucam para sarar.

Ouso fazer um apelo: amigos subversivos, jamais nos esqueçamos da essência da nossa subversão: a centralidade de Cristo acima das ideologias (II Co. 10. 5), a santidade de Deus (Is. 6. 1-7), a prática da oração (I Ts. 5. 17), a meditação nas Escrituras (Sl. 119. 101-106), o cuidado no discipulado que forma o caráter (II Tm. 2) e a afirmação da Cruz de Cristo (I Co. 1. 18). Esse é o nosso baluarte! Essa é a nossa gloriosa herança!

Por favor, meus amigos de gemido, nossa causa é a mais nobre de todas as causas: a luta pela regeneração da igreja! Não se trata de arrogância intelectualóide, mas de temor e tremor. Apenas captamos o chamado do Espírito e adestramos nossas fúrias, canalizando-as para a defesa fiel dos valores do Reino.

Aos empresários da fé, paipóstolos, malandros de púlpito, vagabundos da celestialidade bandida, um aviso: não vamos parar! O que nos une é a certeza feliz de que sempre tem alguém ouvindo e respondendo ao nosso grito!

Por uma igreja verdadeiramente Igreja...


A extraordinária beleza da Cruz


Alan Brizotti

O madeiro, o homem, o sangue. Natureza e humanidade num encontro mortal. Um espetáculo macabro, com requintes do absurdo, mas curiosamente proporcionando beleza. Uma sinfonia onde a dissonância produziu melodia. Do embate amargo entre a truculência romana e a disponibilidade intrigante de um rapaz judeu, nasceu o baile da esperança. Coisas de um Deus detalhista, amorosamente artístico. Deus abraçou a cruz, mas permaneceu com os braços abertos, formando assim o majestoso canal por onde angústias e ódios podem esvair-se...

A cruz é o ponto exato da convergência dos contrastes. A mais aguda dor, na mais doce ternura. A mais apavorante cena, no enredo mais lindo. O frágil judeu espancado, revelando o "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is. 9.6). No auge das trevas, a luz reclama. No alto da cruz, o Deus solitário grita, mas não é um grito, é meu nome que escapa. Benditos contrastes.

Nos ombros, o peso do mundo. Um caminhar lento, pesaroso, como se milhares de mãos no peito o empurrassem para trás. Ele avança. Sabe que eu preciso. É como o pai que mesmo humilhado na guerra diária da vida, engole calado, sabe que o filho precisa de pão. Quanto mais sobe o madeiro, mais humilhado fica o cordeiro.

Sede. O corpo avista a placa do limite. E já passou. Um líquido horrível apenas destrói o que já está em frangalhos. Fracasso? Não! Triunfo! O mais absoluto triunfo! A chave é virada na fechadura da graça. A porta está aberta. O véu perdeu a legitimidade. Não há mais fronteiras. O servo venceu. O humilhado é digno. Minha alma agora pode adorar. Caiu a cadeia que me sufocava.

Após a ressurreição, ele mantém suas feridas. Um lembrete mudo daquele limite. Ele anda pela vida nos encontros com seus amados. Transmitindo-lhes uma certeza: valeu à pena! Por causa disso, agora estou livre. Posso cruz-ar fronteiras! Posso olhar para dentro de mim. Agora, a Ceia do Senhor tem um colorido magistral: "fazei isto em memória de mim": posso olhar para trás livre dos temores do passado. "Examine-se a si mesmo": posso fechar os olhos, pois sei que os fantasmas dos sonhos mortos já não assustam. "Até que ele venha": posso aguardar o amanhã, o sol já não atrasa.

Como diz a letra de uma música antiga: "Sim, eu amo a mensagem da cruz". A extraordinária beleza da cruz transmite certezas ao meu caminhar. Seu legado anda comigo: perdão, graça, entrega, amor. É libertador ter a certeza feliz do Deus forte nos fracos. O amor é o outro nome da cruz.

Amor heavy metal


Rubinho Pirola


"Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e se lhe atirasse ao mar." Mt 18:6

Há alguns anos, estive no Tribal Generation, um fórum que reúne os que dedicam-se a buscar com a mensagem e o testemunho do evangelho, o pessoal da geração chamada emergente.

Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.

Pois foi ai, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.

Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido.

Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.

Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...

Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.

Na hora, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram... "e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"

Tai ai. Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.

Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.

Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.

Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.

Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.

Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.

Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?

Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.

Nada mais radical e maluco!


***
Rubinho Pirola é procurado em 12 países, mas vive solto em Portugal e tem "aparelho" no Genizah.